Animais voltam a andar com a acupuntura

Animais voltam a andar com a acupuntura

A acupuntura é uma técnica que faz parte da medicina oriental, principalmente a medicina chinesa, que é baseada em algumas teorias, como a teoria do yin-yang e a teoria dos cinco movimentos (fogo, terra, metal, água e madeira). Os chineses se baseavam na observação da natureza, no vento, frio, calor, para fazer a medicina chinesa.

E com isso, há 5 mil anos, os chineses começaram a desenvolver as técnicas de acupuntura. Existe também o tratamento da medicina chinesa com ervas, que podem ter efeitos colaterais, diferente da acupuntura que, praticamente, não tem efeito colateral.

“No contexto dessas teorias, é preciso avaliar o indivíduo como um todo para tentar chegar ao diagnóstico chinês, que permitirá o tratamento com a acupuntura”, explica o médico veterinário Alexandro Ayala, pós-graduado em acupuntura veterinária.

A medicina chinesa, oriental, pode ser combinada à medicina ocidental. “Posso usar a acupuntura em um tratamento e posso utilizar junto um corticoide. Não são antagônicos os tratamentos”, explica.

A técnica da acupuntura consiste em aplicar agulhas nos chamados acupontos. São estímulos em pontos específicos para que o organismo entre em harmonia. “Em alguns casos pode-se usar fármacos, por exemplo, uma vitamina B12 aplicada no ponto, que vai ter um estímulo e uma reação do organismo. Esse ponto vai ser trabalhado para que libere uma energia que estava bloqueada naquela região”, resume Ayala.

Dor e infecção

Na teoria do yin-yang a energia deve fluir constantemente, sem interrupções no organismo. E, às vezes, a energia pode estar bloqueada em algum ponto. “Dependendo do tipo de bloqueio, o animal pode ter dor naquele local, um processo inflamatório, infeccioso. Pode ter um tumor naquela área onde está tendo uma deficiência ou excesso de energia. Com a acupuntura tu vai fazer um equilíbrio do organismo, com essas energias que fluem por medianos no corpo inteiro”, completa.

Existem os Zang Fu, órgãos internos que se relacionam com os pontos da acupuntura. “Por exemplo, o baço e o pâncreas são órgãos acoplados. Os rins junto com a bexiga, o fígado e a vesícula biliar, o estômago. São órgãos que vão passar pelos efeitos da aplicação da acupuntura, dependendo do que está sendo tratado”, relata o veterinário.

A acupuntura aplicada a animais é muito similar a humana, praticamente igual. A teoria e os pontos são os mesmos. Todos os pontos que existem em uma pessoa são encontrados em um animal, num cachorro, num gato, num elefante, num lagarto, num passarinho. O que muda é a anatomia do corpo. “Um pássaro, por exemplo, tem asas. Já entre um cão e um humano os pontos são comuns entre os dois, 99%. A teoria é toda igual, todo o mecanismo da acupuntura é igual”, frisa Ayala.

Resultados superiores

Em relação aos resultados do tratamento com acupuntura em animais, eles são superiores. É possível, por exemplo, fazer um animal voltar a andar. Segundo o veterinário, tem algumas espécies que respondem ainda muito melhor à acupuntura. “A que melhor responde é o cavalo. Inclusive, a acupuntura veterinária começou com os cavalos. Por causas das guerras, à época, o animal tinha muito valor e acabou sendo a primeira espécie a ser tratada pela acupuntura.”

Entre as patologias tratadas pela acupuntura estão as neurologias, de coluna, de câncer, processos alérgicos, dermatológicos, pulmonares, de insuficiência renal, hepática. Praticamente todos os órgãos são passíveis de serem tratados com a acupuntura. Todas as doenças têm tratamento. Algumas respondem mais outras menos, de acordo com o médico.

Coluna vertebral

Para Ayala, a acupuntura trata algumas coisas que a medicina ocidental não tem capacidade de tratar, como alguns casos relacionados à coluna vertebral, para a qual não há medicamentos que resolvam os problemas, nas somente com cirurgia.

“E há casos que, com o tratamento por acupuntura, o animal, de uma hora para a outra, se desenvolve, e começa a andar. Mudando uma perspectiva onde o cachorro teria que andar com uma cadeirinha de rodas. Não teria nenhum medicamento no mundo que fizesse ele andar, e a acupuntura, muitas vezes, faz.”

Assim, a acupuntura também substitui tratamentos com medicação, quando o animal não pode tomar certos remédios, por exemplo. Se o bichinho tem um problema hepático, não pode ingerir um medicamento que vai atingir o fígado. Pode ser contraindicado ou é preciso usar uma dose reduzida.

E a acupuntura não tem contraindicação. É um tratamento natural, que não vai passar pela química do medicamento ou a agressividade da cirurgia. E, ainda, acaba sendo muitas vezes um tratamento mais barato.

Para todas as idades

A acupuntura traz resultados tanto para o animal jovem quanto para o velho. “Nos animais velhinhos pode ser mais complicado receber as medicações, já tens problemas renais, tomam doses reduzidas de remédios. Com a acupuntura, há a possibilidade de reduzir ainda mais as doses e a frequência delas, ou até mesmo suspendê-las, como em processos crônicos, com dor, dando um ganho de qualidade de vida ao animal”, esclarece o médico.

“Os casos que chegam ao Hospital Bichos dos Sul e que são tratados pela acupuntura são, em grande parte, os problemas neurológicos, problemas de coluna, onde a acupuntura responde muito bem e tem o mesmo índice de resultados de uma cirurgia, com uma recuperação bem alta”, cita Ayala.

Os quadros neurológicos são geralmente a hérnia de disco que acaba comprimindo a medula. A causa mais comum é a discopatia, quanto há uma protusão ou extrusão do disco vertebral que resulta na compressão da medula. “Com isso o animal acaba ficando paraplégico ou tetraplégico, ou ter muita dificuldade para andar, ter dor.”

Outros casos tratados pela acupuntura são o neurológico de convulsão, de demência, que respondem bem ao tratamento. Quadros dermatológicos, infecciosos, de insuficiência de órgãos, renal e hepático, passam pela monoterapia, um único tratamento, ou associado a medicamentos. “A acupuntura também pode ser coadjuvante nas questões de comportamento animal”, complementa.

Lesões graves

De acordo com Ayala, são muitas histórias de cachorrinhos paraplégicos que saem andando do Hospital Bichos do Sul, depois de passarem pelas sessões de acupuntura. “Eu mesmo, com a minha cachorrinha, uma poodle que ficou paraplégica e arrastava as patinhas, com a acupuntura e um tratamento conservador, voltou a correr, pular”, conta.

“Às vezes, o animal tem uma lesão grave, não consegue nem urinar e nem defecar direito, sem conseguir andar bem. E só o fato desse bichinho conseguir fazer xixi sozinho já é um grande ganho”, comenta. “Outros casos é quando o animal perde a capacidade de controle da bexiga, e com a acupuntura a bexiga volta a funcionar. Quando ele é paraplégico fica se urinando o tempo todo.”

Segundo o veterinário, alguns pequenos ganhos são muito importantes para o dono do animalzinho. “Regular a função de urinar ou o animal poder caminhar um pouco para fazer as suas necessidades é muito importante. A autonomia gerada é muito importante em alguns casos, onde parecia não haver cura”, especifica.

Outro diagnóstico que alcança bons resultados no Hospital Bichos do Sul é o da displasia coxofemoral, trazendo mais qualidade de vida para o animal e evitando que ele passe por cirurgias, principalmente em animais de mais idade onde a intervenção é contraindicada. “O bichinho volta a andar, correr, brincar. Volta a ser feliz.”

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